segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"Cabocla"

Credito ao tempo
O preço de um passado perdido no vácuo
Fruto de uma estupidez viscerosa
Inerte diante de meros sofismas da carne

Vivo um novo momento aberto à plenitude
Inebriado por uma beleza única e exalante
Presente em simples tons de menina
Intensa e marcante em suas cores caboclas

Jamais permitirei este sopro calar
Pois, mesmo com os pés no chão da experiência
Deixar-me-ei levitar em seu perfume
Doce e, por vezes, azedo em sua perfeição

A vida nos trás o possível
Mas, cabe a nós fazer até o impossível
E, só assim, pode-se almejar em futuro
A possibilidade de um novo Amor compartilhar

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

"Flash Back"

Uma barba preguiçosa de segunda-feira por barbear
Aquele velho rádio de costume sempre ao pé do ouvido
Ritual rotineiro e imperceptível por executar
Tarefa sem maiores pretensões em seu tom melancólico
Mais um dia normal a seguir e acordar

Eis que, literalmente em Flash Back, ouço uma canção inocente
Sorrateira, tocando suavemente em sua despretensão envolvente
Imediata foi minha volta em tempo e momento 
Um mero hit, que nem mesmo um dia se quer foi sucesso
Mas que trouxe de volta melodias em meu Hit Parede

Tamanha foi a viagem que me fez o sono passar
Inúmeras sensações que a porta do banheiro desejavam derrubar 
Invadindo a inquietude daquela pobre fechadura cerrada
Meu pobre cavanhaque quase não consegui delinear
E inevitável, mesmo, foi em minha vã filosofia não filosofar 

Qual o maior desafio da ciência humana? Pensei comigo...
Será um dia possível controlar a cronologia do tempo?
Algum mecanismo inovador que nos remeta ao passado?
Mas enfim...
Porque o Homem ainda perde seu próprio tempo pensando no tempo?

Afinal, tal máquina, ferramenta ou mecanismo já está entre nós
Seguindo silencioso e presente em nosso dia-a-dia
Em paradoxo de silêncio ao som de uma bela canção
Algo simples, mas que acabei por experimentar 
Algo palpável, mas que acabei por notar

Viajei em tempo e espaço em uma simples melodia
E nem mesmo com a física precisei duelar
Mas, quem nunca reviveu aquele momento ao ouvir um simples arranjo?
Quantos nunca desejaram ver sua vida, em um clipe, contar?
Jogue a primeira pedra aquele que nunca disse "Minha música irei colocar..."

Música, música, música... Em seus tons e diversidades...
A mais bela concepção de ciência e arte em plenitude
Penetrante ao fechar dos olhos e dimensões
Refrões que nos permitem reviver ínfimas sensações e sentimentos
Desafiando seja qual for o tempo onde estejam guardados por tocar

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

“Serena Neutralidade”

Cada nada representa mais que um tudo
Quando se busca a neutralidade em plenitude
Rever aquelas fotos forçadas e perdidas em um dia sofrido
Tem a mesma importância diante dos álbuns de fachada
Expressões forjadas em sorrisos rodeados
Escondendo lágrimas ainda por enxugar
E enxuto é este mesmo sorriso
Que espera novas lágrimas apenas por secar

Estar bem, quando se está mal
E porque não, estar mal quando se está bem
Completude diante de uma incompletude madura
Completa apenas com o ponto imutável e despretensioso
O neutro e sua origem sem balanços
Ser neutro, não necessariamente com sinônimo de frieza
Ser sereno, mas jamais vestindo a inércia da indiferença
Apenas interpretar, resumir e seguir... O bom ou o ruim...

Neutralidade que, em vice-versa, trás a serenidade intangível
Choros e sorrisos unidos ou não, sejam por dentro ou por fora
Tudo diante do dito acaso casual ou planejado
Acasos de leões, paixões e jargões
Algo por vir, por viver, por ganhar e por perder
Só peço que o acaso não se encabule, e persista
Se aprochegue sem medos ou desconfianças
Só não se esqueça de trazer consigo seus nadas e seus tudos