terça-feira, 13 de setembro de 2011

"Amor & Paixão"

Do sublime e puro amor, surgiu o Homem
Dos desvios deste Homem, surgiu a ébria paixão
Inevitável contramão entre sentimentos opostos
Cotidianos desencontros na imaturidade mundana

Dizemos que amamos em momentos de simples paixão
Exigimos a paixão em momentos reservados ao amor
Paradoxo de valores em nossa eterna insatisfação
Amor e Paixão bifurcam-se pelos caminhos da vida

A Paixão afasta, o Amor aproxima
A Paixão imediata, o Amor pacienta
A Paixão despende, o Amor repõe
A Paixão exige, o Amor compreende

A Paixão quebra, o Amor sustenta
A Paixão regride, o Amor avança
A Paixão pontualiza, o Amor eterniza
A Paixão inibe o Amor, o Amor sublima a Paixão

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"Sentidos"

Sentir um perfume, e não poder cheirar
Imaginar uma pele, e não poder tocar
Ouvir uma voz, e não poder conversar
Ver uma beleza, e não poder desfrutar
Lembrar do gosto do beijo, e não mais compartilhar

De que valem os sentidos, se não podemos aproveitar?
A vida nos apresenta uma musa singular
Sua simples presença, deixa o corpo a palpitar
Um amor intenso, poucos são capazes de vivenciar
O dito sexto sentido de nada vai adiantar

Amo, porque vivencio
Amo, porque respeito
Amo, porque compreendo
Amo, porque espero
Amo, porque acredito
Amo, porque amo

quarta-feira, 29 de junho de 2011

"Sebastian"

O luto traz algo que nos é esquecido
Esquecimento sinônimo do medo
Medo da saudade e do desconhecido
Desconhecido apenas aos vis olhos do homem

A passagem é própria de todo ser
Seja com pensamento ou instinto
E o que seria o instinto senão um pensamento?
Meu sobrinho Sebastian tinha esta resposta

Ah cachorrinho barulhento e estridente
Campainha, a porta dispensava
As boas vindas o guardião nos dava
Sem a necessária solicitação

Ah cachorrinho querido e dengoso
Ao chão ou à mesa nada de solidão
Focinho empinado sempre lá estava
No aguardo de uma mera atenção

O silêncio do luto agora paira
Não cabem substitutos ou similares
A vaga deste peludo ninguém preenche
Na mente daqueles que muito o amavam

Vai SêbaHanks, tua missão se completou
Vai Sebastião, siga sua evolução
Vai Cão, um dia nos encontraremos
Fica o silêncio em nosso coração

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"Ponteiros do Tempo"

Como podemos definir o tempo?
Seria possível mensurar o desconhecido?
Paradoxos de algo exato, mas sem exatidão a dar
E os ponteiros insistem em não descansar

“Tic-Tac´s”, “Prim-Prim´s” ou as vanguardas em MP3
O badalar chega a todos, e o tempo insiste em seguir
Nada de pestanejar, é hora da poeira levantar
E os ponteiros insistem em não descansar

Cada ser tem seu prazo e momento singular
Fundamental respeitar e aceitar os alheios
Estúpido seria nossos tempos comparar
E os ponteiros insistem em não descansar

Retroagir no universo do tempo é incabível e surreal
Resta conviver com as lamentações e lamúrias
Fortes saudades e recordações na memória a florear
E os ponteiros insistem em não descansar

É hora de usar o presente e olhar para o futuro
Semeie, aprenda, entenda, aguarde, observe
Prepare e planeje um tempo ainda a esperar
E os ponteiros insistem em não descansar

Perfeita a magia do desconhecido porvir
Longe dos previsíveis minutos e segundos
O que é hoje não é amanhã, oposto não menos popular
E os ponteiros insistem em não descansar

Caberá germinar a semente, e aceitar seus frutos
Caberá praticar o aprendizado, e entender seus porquês
Caberá, ao final, um belo sorriso ou um amargo choro estravazar
E os ponteiros insistem em não descansar

Mas porque perder algo tão precioso?
Porque insistir em dar tempo ao tempo?
Se amanhã o tempo poderás não ter para dar
E os ponteiros insistem em não descansar

Bom mesmo era se deixássemos os ranços no passado cansado
Bom mesmo era se adiássemos as teorias de um futuro incerto
Bom mesmo era se, com o presente, o tempo pudesse nos presentar
Afinal, os ponteiros insistem em não descansar

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"Fantasia"

A rede quente abraça o corpo
Já a mente não consegue aprisionar
Pensamentos e elucubrações
Insônia cansada pela madrugada

Retalhos de histórias entrelaçadas
Tragos em um cigarro amigo
Gélido silêncio que violenta a alma
Ponteiros audaciosos que levam o tempo

Eis os cantos dos pássaros
Sinal de recomeço e esperança
Rotina necessária e desafiadora
Duro momento de vestir a fantasia

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Maria Clara"

Clara como o Sol Energizante
Clara como a Lua Insinuante
Clara como a Esperança Revigorante
Clara como o Sorriso Verdadeiro
Clara como o Dengo Necessário
Clara como o Carinho Espontâneo
Clara como o Cabelinho Escorrido
Clara como o Olhar Enigmático
Clara como o Amor Puro

Clara que mareja o olhar
Clara que surpreende o porvir
Clara que dá sentindo ao sem sentido
Clara que transporta a alma do amargor
Clara que ilumina a negra realidade
Clara que grita com delicadeza
Clara que apaixona as chupetas
Clara que eterniza momentos
Clara que perpetua as Marias

Dos planos de Camila ao belo Maria Clara
Do nome composto ao simples e forte Clara
Do carinho e afeto o inevitável diminutivo de Clarinha
Do eterno ar dengoso o chamado de Babynha
Das barbas e babas do Papai o singular Binha

Muito mudou no chamado... Nada mudou no amor incondicional...

Clara que é Camila
Clara que é Maria Clara
Clara que é Clarinha
Clara que é Babynha
Clara que é Binha
Clara que é Pedrinho
Clara que é Mamãe
Clara que é Papai
Clara que simplesmente nos completa

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Ingratidão"

Esquecimento confunde-se com conveniência
Conveniência sugere ingratidão
Ingratidão semblante do ser pós-moderno
Personagens egoístas em sua essência e concepção

Gritar e brigar é lançar pela janela seu direito
De nada adianta mostrar sua realidade
Ao cego perdido em sua egocentricidade
Ao "irmão" encarcerado em seu universo intangível

Irônica e sarcástica anedota no enredo
Aquele que antes tanto se amparou no calor alheio
Hoje sequer levanta os olhos ao antigo protetivo
Menosprezo completo e prematuro

Felizmente algum sentido paira no porvir
Não serei eu, tu, ele, nós, vós ou eles que ensinarão
Pessoa alguma deste vocabulário de letras minúsculas
Apenas Ele, na sua justiça, com sua imponente inicial maiúscula

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Ninho e Ninha"

Impressionante a complexidade do amor
A sensação de amar não tem cronologia
O amor verdadeiro não tem começo, meio e fim
Um sentimento que apenas adormece, mas permeia

Na vida, apenas uma vez amei
Olhos verdes escuros, pele de porcelana
Cabelos, unhas e balaiagens
Corpo mignon como manda o bom figurino

Do susto do conhecer à certeza do porvir
Peles que se misturavam incansavelmente
Loucuras jamais realizadas e pensadas
Uma bela história a construir

Enredo épico, único e romântico
Altos e baixos que trazem equilíbrio
Mas muita cumplicidade e afetividade
Ligação astral e espiritual

Os frutos não poderiam ser outros
Um belo rapaz, com rosto e olhos da mãe
Uma linda moça, com o rosto esculpido no pai
Enfim a família sempre almejada

Ninho e Ninha não mais estão juntos
Fisicamente como manda os padrões
Ligação eterna, não pelos rebentos
Amor puro e imaterial, inexplicável como ele só

terça-feira, 7 de junho de 2011

"Padaria"

Face a face
Olho a olho
Apenas centímetros separam
Respirações ofegantes

Aquele cheiro inesquecível
Os gestões singulares
A risada espontânea e única
As expressões registradas

O relógio corre
Um universo a ser dito
Palavras faltam e se perdem
Enorme confusão de idéias

Palavras em uma Padaria
Final positivo e paz de espírito
Perdão presente ou futuro
Vidas que tentam caminhar

segunda-feira, 6 de junho de 2011

"Resignação"

A alma sofrida
O corpo padece
Festas além das janelas
Silêncio interno

Saber e não conseguir agir
Ego ferido e maltratado
Vida sem graça
Inferno astral

O futuro uma incógnita
O presente uma rotina
Respirar fundo e sobreviver
Ínfima esperança no porvir