Uma boca que se delicia em seus lábios
Carnudos e delineados em sua expressão singular
Espelho perfeito de sua austera personalidade
Neutra, sempre em análise de sentimentos e emoções
Uma boca em princípio de absoluto silêncio
Matando, em piolhos, com o vazio de sua quietude
Angustiante é a sensação por jamais ouvir suas palavras
Segurança, apenas, no fio de uma esperança porvir
Uma boca em momentos de puro suspense em reflexão
Diga-me, logo, aquilo que preciso ouvir!
Dai-me, rápido, aquilo que sonhei sentir!
Solte, enfim, aquilo que pensas de mim!
Uma boca em opostos projetados em sensações
Das impossibilidades de um destino
Das possibilidades de um momento
Das serenidades de uma realidade
Uma boca, por fim, em cruel e fria constatação
Derrubando o céu diante da impiedosa verdade
Constatando a obviedade do óbvio ululante
Acabando com o fio, se é que um dia este fio sequer existiu
Uma boca que traz infinito ao finito...
Uma boca que traz pensamentos ao impensado...
Uma boca que traz desejo ao proibido...
Uma boca que traz gosto ao sonhado...
Uma boca que traz poesia ao dito poeta...
Uma boca que traz palavras ao dito escritor...
Uma boca que traz completude em sua simples perfeição...
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